Do Boletim de Ocorrência (em negrito) da prisão em flagrante do policial militar João Dias Oliveira, por injúria e lesão corporal, emitido ontem (07/12):
"O autor negou as agressões, apenas reconhecendo os xingamentos mútuos, alegando que estava devolvendo a quantia que lhe havia sido entregue [R$ 200 mil, segundo ele] em sua residência [em um condomínio de luxo em Sobradinho] pela senhora Paula [Paula Batista de Araújo, chefe de gabinete de Paulo Tadeu], pelo irmão do secretário Paulo Tadeu [seu desafeto e com com quem pretendia encontrar-se para tomar satisfações e devolver-lhe o dinheiro que recebera, segundo ele, a título de propina], e por outras pessoas cujos nomes não declinou.[sobre as quais jogou os duzentos mil reais] "
João Dias, depois de invadir o Palácio do Buriti [onde despacha o governador Agnelo Queiroz] e agredir servidores, foi contido e levado para fora do prédio pela segurança interna.
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Para quem esqueceu ou não sabe: João Dias - faixa preta em "kung-fu" - é o policial militar responsável pelo suposto esquema de arrecadação de propina para o PCdoB, o que resultou na demissão do senhor Orlando Silva, ex-ministro do Esporte.
Mais: duas ONGs por ele fundadas receberam R$ 2,9 milhões do Ministério do Esporte - cujo titular, à época (2006), era o senhor Agnelo Queiroz - para aplicação no Programa Segundo Tempo, que tinha por meta promover atividades esportivas e de lazer, na cidade satélite de Sobradinho, a cinco mil alunos carentes.
Mais ainda: naufragaram, porém, os sonhos daqueles que esperavam a melhoria e o aprimoramento (através de atividades físicas e de lazer) dos 5000 jovens carentes inscritos no programa, quando a Controladoria Geral da União-CGU constatou que os serviços contratados não foram realizados e que notas fiscais falsas foram utilizadas na prestação de contas.
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Terminados os trabalhos de perícia na área do confronto entre o policial militar e os servidores do GDF foram recolhidos, apenas, R$ 159 mil.
Está nas mãos do delegado responsável pela ocorrência esclarecer se, por uma obra do acaso, os R$ 41 mil restantes foram parar, por acaso, na algibeira de um ou mais de um funcionário do gabinete do senhor Tadeu; se estão alojados em um canto qualquer da sala e não foram encontrados pelo pessoal responsável pela perícia; ou se algum pé-de-vento (não observado pelos circunstantes) fez voar para local incerto e não determinado a pequena bolada.
Ou, quem sabe?, não teriam sido entregues ao truculento senhor João Dias de Oliveira apenas R$ 159 mil.
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Caberá a criação de uma Comissão de Inquérito ou, apenas, de uma Sindicância? Ou será mais um mistério de Brasília que fica insolúvel?
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