Hoje é dia, amiga [que não se aborreçam os meus amigos machos], de Drummond, o Grande.
E dele transcrevo poema pouco conhecido, Telegrama - nas mais das vezes somente visto e pouco lido nas aulas de Literatura de professores que pensam preparar nossos meninos e meninas para o famigerado ENEM -, encontrado no livro A Palavra Mágica [Coleção Mineiramente Drummond, 2002, Editora Record].
X X X
Telegrama
Emoção na cidade.
Chegou telegrama para Chico Brito.
Que notícia ruim,
que morte ou pesadelo
avança para Chico Brito no papel dobrado?
Nunca ninguém recebe telegrama
que não seja de má sorte. Para isso
foi inventado.
Lá vem o estafeta com rosto de Parca
trazendo na mão a dor de Chico Brito.
Não sopra a ninguém.
Compete a Chico
descolar as dobras
de seu infortúnio.
Telegrama telegrama telegrama
Em frente à casa de Chico o voejar múrmure
de negras hipóteses confabuladas.
O estafeta bate à porta.
Aparece Chico, varado de sofrimento prévio.
Não lê imediatamente.
Carece de um copo d'água
e de uma cadeira.
Pálido, crava os olhos
nas letras mortais.
"Queira aceitar efusivos cumprimentos
passagem data natalícia espero merecer
valioso apoio distinto correligionário minha
reeleição deputado federal quinto distrito
cordial abraço Atanágoras Falcão."
X X X
Considero relevante, também, levar ao conhecimento de meus persistentes leitores que Luana cumpre hoje seu nono aniversário.
Luana [ou Xandoca, como - apenas eu - a trato na intimidade] é a gata vira-lata, trazida por meu neto para nossa companhia exatos nove anos atrás e que, em homenagem ao poeta de Itabira, recebeu seu sobrenome.
Votos de feliz aniversário para ela devem ser encaminhados à Srta.Luana Drummond.
São dispensados telegramas dos senhores políticos.
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