terça-feira, 13 de dezembro de 2011

EUSTÁQUIO E EDUARDO, DOIS IRMÃOS QUE FIZERAM SUCESSO

Dois irmãos, seis e três anos de idade, deixam a pequena cidade no Ceará, onde nasceram, Itaiçaba - acompanhando os pais em busca de uma vida melhor - rumo a São Paulo.

Getúlio Vargas, o ditador de 1930 - no ano em que os dois meninos seguem para o sul - voltava ao poder pelo voto popular..

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Eduardo não enxergava bem desde muito pequeno. Morreu cego e, como revelou em entrevista concedida ao Estadão cerca de seis meses atrás, o médico que o atendeu atribuiu a perda de visão a um glaucoma que o acompanhou durante boa parte da vida:
"...Fui dormir enxergando e acordei assim, sem luz nos olhos. Foi em julho de 2006. Eu tinha sofrido um acidente muito feio, mas não foi por isso que fiquei cego. Fui a um especialista, o dr. Eurípides. Ele me disse que era um glaucoma. Eu sempre tive miopia. Sempre fui míope e tinha astigmatismo. Tinha 10 graus numa vista, 13 na outra, era miopia da alta. Depois ela foi aumentando rapidamente. Aconteceu esse lance. Eu sempre usei lente de contato. Fui dormir, quando acordei no dia seguinte: epa! não estou enxergando nada, Janinha me ajuda aqui!..."

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Tarde do dia 16 de junho ultimo, quinta-feira, morre na casa modesta da irmã Eva, em Vila Albertina, zona Norte da cidade, Eduardo Gomes de Farias, o mais novo dos dois irmãos: não resiste, aos 64 anos, enquanto tomava banho, a um infarto fulminante; seu corpo é enterrado no Cemitério do Araxá, em São Paulo. Deixou de seu uma coleção de vinis, a mulher Rejane [a Janinha, com quem foi casado por 37 anos] e a filha Priscila; e perdeu, com a morte, a pensão por invalidez, de quatro salários mínimos, que lhe era paga pelo INSS.

Eduardo já tivera, em dezembro de 2000, outra grande perda: o irmão mais velho, Eustáquio, vítima de um câncer fulminante no estômago.

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Os irmãos sempre foram reconhecidos por suas qualidades musicais e, em fins de 1960 [ano em que deram início à carreira, cantando em dupla] lançaram seu primeiro LP - "Terra Boa" (1969) - que trazia em uma das faixas a canção "Você também é responsável".
Em 1970 o Brasil conquista a Copa do Mundo no México. Nas danceterias e programas de auditório da televisão e do rádio não há quem não cante ou, ao menos, não dance as músicas dos meninos que 20 anos atrás desembarcavam em São Paulo, levados pela esperança de melhores oportunidades na vida.

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Aí começam os problemas e o patrulhamento sobre os irmãos Eustáquio e Eduardo...

(continua)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

FICA DIFÍCIL, AMIGO, FICA DIFÍCIL...

Francenildo Santos Costa, o ex-caseiro que denunciou o ex-ministro Antonio Palocci, aguarda a conclusão de um processo em que pede indenização por ter seu sigilo bancário violado na Caixa Econômica Federal [em primeira instância, aquele órgão foi condenado a indenizá-lo em R$ 500 mil]. Francenildo nada recebeu até hoje por conta de recurso impetrado pela CEF o que resultou em sua [dele, processo] paralisação no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.

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Francenildo Santos Costa, o ex-caseiro que denunciou o ex-ministro Antonio Palocci, nos últimos cinco anos e meio só tem encontrado portas fechadas para conseguir emprego fixo [tem vivido de bicos como jardineiro e como limpador de piscinas].

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Francenildo Santos Costa, o ex-caseiro que denunciou o ex-ministro Antonio Palocci, deverá concluir o segundo grau no próximo ano [o que poderá servir para abrir-lhe oportunidades de trabalho melhores que as de hoje]; à época em que denunciou o senhor Palocci tinha, apenas, a 4ª série.

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Hoje, 9 de dezembro de 2011 - Dia Internacional de Combate à Corrupção - Francenildo Santos Costa, o ex-caseiro que denunciou o ex-ministro Antonio Palocci, desabafa: "Só porque falei a verdade eu vou ser prejudicado pelo resto da vida?"

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Temo que este chamado Dia Internacional de Combate à Corrupção sirva, apenas, para inglês ver.

E Francenildo Santos Costa, o ex-caseiro que denunciou o ex-ministro Antonio Palocci, é, que eu saiba, piauiense.

Fica difícil, amigo, fica difícil....


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MISTÉRIOS DE BRASÍLIA

Do Boletim de Ocorrência (em negrito) da prisão em flagrante do policial militar João Dias Oliveira, por injúria e lesão corporal, emitido ontem (07/12):

"O autor negou as agressões, apenas reconhecendo os xingamentos mútuos, alegando que estava devolvendo a quantia que lhe havia sido entregue [R$ 200 mil, segundo ele] em sua residência [em um condomínio de luxo em Sobradinho] pela senhora Paula [Paula Batista de Araújo, chefe de gabinete de Paulo Tadeu], pelo irmão do secretário Paulo Tadeu [seu desafeto e com com quem pretendia encontrar-se para tomar satisfações e devolver-lhe o dinheiro que recebera, segundo ele, a título de propina], e por outras pessoas cujos nomes não declinou.[sobre as quais jogou os duzentos mil reais] "

João Dias, depois de invadir o Palácio do Buriti [onde despacha o governador Agnelo Queiroz] e agredir servidores, foi contido e levado para fora do prédio pela segurança interna.

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Para quem esqueceu ou não sabe: João Dias - faixa preta em "kung-fu" - é o policial militar responsável pelo suposto esquema de arrecadação de propina para o PCdoB, o que resultou na demissão do senhor Orlando Silva, ex-ministro do Esporte.

Mais: duas ONGs por ele fundadas receberam R$ 2,9 milhões do Ministério do Esporte - cujo titular, à época (2006), era o senhor Agnelo Queiroz - para aplicação no Programa Segundo Tempo, que tinha por meta promover atividades esportivas e de lazer, na cidade satélite de Sobradinho, a cinco mil alunos carentes.

Mais ainda: naufragaram, porém, os sonhos daqueles que esperavam a melhoria e o aprimoramento (através de atividades físicas e de lazer) dos 5000 jovens carentes inscritos no programa, quando a Controladoria Geral da União-CGU constatou que os serviços contratados não foram realizados e que notas fiscais falsas foram utilizadas na prestação de contas.

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Terminados os trabalhos de perícia na área do confronto entre o policial militar e os servidores do GDF foram recolhidos, apenas, R$ 159 mil.

Está nas mãos do delegado responsável pela ocorrência esclarecer se, por uma obra do acaso, os R$ 41 mil restantes foram parar, por acaso, na algibeira de um ou mais de um funcionário do gabinete do senhor Tadeu; se estão alojados em um canto qualquer da sala e não foram encontrados pelo pessoal responsável pela perícia; ou se algum pé-de-vento (não observado pelos circunstantes) fez voar para local incerto e não determinado a pequena bolada.

Ou, quem sabe?, não teriam sido entregues ao truculento senhor João Dias de Oliveira apenas R$ 159 mil.

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Caberá a criação de uma Comissão de Inquérito ou, apenas, de uma Sindicância? Ou será mais um mistério de Brasília que fica insolúvel?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

BIOGRAFIA INCOMPLETA


"Quem sou eu

Sou William de Oliveira Presidente do Movimento Popular de Favelas, Ex-Presidente da Associação de Moradores da Rocinha (União Pro Melhoramentos dos Moradores da Rocinha – (UPMMR), Vice Presidente do Fórum de Turismo da Rocinha, Vice Presidente da Federação das Associações de Moradores de Jacarepaguá, Barra, Recreio e Adjacências, Relações Publicas e Assessor de Imprensa da Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro (FAF-RIO), Membro do Conselho Comunitário de Segurança Publica da ISP 23, Membro dos Comitês do PAC Rocinha, Membro da Câmara Comunitária da Rocinha, Colaborador dos Sites Agencia de Noticias de Favelas (ANF) www.anf.org.br e Voz das Comunidades www.vozdascomunidades.com.br e Viva Favela, www.vivafavela.com.br Desenvolvo trabalhos na área de proteção dos direitos humanos e sua interação diante do princípio da dignidade da pessoa humana há quase 10 anos sempre defendendo os direitos dos menos favorecidos, representando a Sociedade Civil em todos os âmbitos."

Assim se apresenta o senhor William de Oliveira no Blog William da Rocinha.

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Pelas qualificações que apresentou, acredita-se, a vereadora Andrea Gouveia Vieira garantiu-lhe cargo de confiança - bem remunerado, com certeza - na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Perdeu o emprego, dias atrás, por seu envolvimento - discutível, sugere meio sem graça, em declarações à imprensa, a vereadora Andrea - com o senhor Antônio Francisco Bonfim Lopes [também conhecido como Nem}, traficante recentemente preso pela PMRJ em ação conjunta com a Polícia Federal. Dito envolvimento não é qualificação que conste de sua biografia.

Pena que tudo tenha acontecido porque apenas a parte divulgada no blog do senhor William de Oliveira tenha chegado ao conhecimento da nobre edil. A parte restante, com a qual o pessoal da comunidade estava cansado de conviver, ficou escondida em algum lugar não acessado por dona Andrea antes de nomeá-lo seu assistente.

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Há quem diga que os gabinetes do velho Palácio do Largo da Mãe do Bispo já foram ocupados por servidores melhor qualificados. Uma pena o que acontece nos tempos atuais de liberdades democráticas.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PRESTE SEMPRE ATENÇÃO NO QUE DIZEM OS VELHOS


Ouvido de um dos participantes do almoço de confraternização realizado a cada primeiro sábado de dezembro, há mais de cinquenta anos, por uma turma de companheiros de colégio:
"O olho da rua é a única sepultura digna de um ministro tão desqualificado."

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A registrar: o participante mais novo da reunião passava já dos setenta e dois anos; o mais velho aproximava-se dos setenta e oito. Todos com capacidade crítica, evidente, para avaliar o senhor Lupi, o ministro que deixou o governo sem que fosse necessário o uso de um só tiro de garrucha que pudesse fazer uma galinha correr de medo.

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A leoa - no caso, a autoridade que o nomeou - como se chegou a pensar, não era nem mansa nem tola: aproveitou a deliberação do Conselho de Ética propondo a exoneração do ministro e, fazendo de contas que não estava entendendo nada, fez levar S.Excia [ainda] ao Palácio - justo no último domingo, 4, dia dos clássicos que definiriam o Brasileirão, reduzindo ao máximo a repercussão de sua convocação [dele, ministro] - e ofereceu-lhe a clássica alternativa de pedir para sair ou ser posto na rua.

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Com um simples "Xô, bicho, vai pra casa" resolveu-se a questão: os Fuzileiros não foram chamados para deslindar o nó, o Exército não colocou seus homens nas ruas nem a Força Aérea teve necessidade de usar seus jatos e helicópteros de combate.

Os únicos tiros que se pode ouvir foram os dos rojões das torcidas do Flamengo [no Rio] e do E.C.Corinthians, no resto do Brasil. Debaixo dos quais o tal ministro foi parar no olho da rua.

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Estava certo o comentário do desencantado velhinho feito no almoço de confraternização de sua turma.